Baobä Stereo Club

baoba_stereo_club

Baixar em MP3Ouvir no MySpace

Baobä Stereo Club é som de gente grande. Gente que passou por bandas, por subgêneros do rock e suas ramificações com o jazz e o erudito, e subitamente desembocou em uma clareira livre e criativa, onde as coisas já não têm rótulos (e as obrigações que eles trazem), mas apenas o prazer das infinitas possibilidades a serem exploradas.

Baobä Stereo Club é a guitarra semi-acústica (mais violão, bandolim e piano) de Henrique Diaz, a bateria (e percussão) de Paulo Soares e foi, a princípio, montado como um trio, com a presença da DJ Luci Hidaka nas texturas eletrônicas. O formato os deixava próximos da cena pós-rock paulistana, de Hurtmold, Labirinto e outras bandas. Hoje Henrique e Paulo trazem mais um diferencial para o projeto: as músicas do BSC, mesmo quando parecem espontâneas ou desconstruídas, tem zero de improviso, ao contrário da cena de rock instrumental. Assim, nessa busca pelo rigor e pela justeza de expressão, o duo fugiu de mais um rótulo.

No álbum de estréia, ficaram duas músicas gravadas em ensaio com Luci (“Carnaval em Cabreúva” e “Trump’n’Bop”) e um remix de M.Takara para “Sem Querer”. A única outra participação do disco é a de Silvia Paes, que toca castanholas em “Para Cachaito”.

O interessante é que essa idiossincrasia do BSC não se converte em incomunicabilidade. Pelo contrário, suas músicas têm encontrado rapidamente canais alternativos de divulgação. O interesse da dupla pelo trabalho de compositores de trilhas parece ter dado uma senha para o destino: uma faixa do duo foi escolhida para a minissérie de “realidade alternativa” da MTV, Teoria das Cordas. Depois, em uma conversa ocasional de mesa de bar em Buenos Aires, Henrique conheceu o cineasta argentino Luis Diaz, que resolveu usar uma outra faixa do grupo no longa-metragem Hoy, la Pelicula. E mais duas músicas estão também na trilha do documentário Reboard, rodado por Alexandre Sesper.

Essa adequação a trilhas diz muito da capacidade do Baobä em criar climas envolventes. Henrique lembra que sua formação em violão clássico fala mais alto. Paulo, filho de jazzista, abusa dos contratempos e alterna o uso das peças de seu instrumento em seqüências muitas vezes improváveis para ouvidos amaciados pelo senso comum.

Baobä Stereo Club, o álbum, foi mixado online, trocando arquivos gravados na casa de Henrique com o produtor Clive Mund, do estúdio Deluxe de Florianópolis. O som de estúdio procura ser fiel às apresentações, algo entre o post-rock, jazz, experimentalismo, música clássica, ritmos latinos e trip-hop. Tudo nos termos do minimalismo, nem tanto porque se trata de um duo, mas porque o instrumental pode ser melhor captado em suas sutilezas. Então, procure um ambiente tranquilo, baixe a luz e se entregue às nove viagens que são as faixas deste disco.

Powered by WordPress

Theme by Índice