A primeira vez que eu vi os Borderlinerz foi naquele projeto São Paulo Independente, no ano de 2003 ou 2004. Eu tinha apenas 16 anos e não podia entrar nas casas de shows, então, quando fiquei sabendo desse evento, fui em todas as edições, mesmo sem conhecer direito as bandas. Tinha acabado de descobrir que havia vida além da mesmice que tocava nas rádios e queria conhecer tudo!
Virei fã dos Borderz na mesma hora que vi o trio posudo, roqueiros charmosos que ainda cantavam em inglês e se jogavam na bateria no fim do show, para o desespero dos produtores. Que demais! Persegui os roqueiros charmosos por todas as baladas que me permitiam entrar com o RG claramente falso. Comprei CDs, roubei cartazes, tirei fotos e pedi autógrafos, tudo como manda o figurino.
Até que a febre passou, aquela sede por coisas novas fez com que eu esquecesse a banda que me introduziu no mundo underground paulistano e partisse para outras sonoridades. Mas eis que, em 2008, cai em minhas mãos A Verdade Sobre a Mentira, o terceiro disco dos Borderlinerz. Veio aquela nostalgia gostosa, lembrei daqueles “velhos” tempos.
Hoje, com 21 anos, sinto aquela mesma paixão e vontade de gritar YEAH! ouvindo o Zeh cantar. A banda melhorou tecnicamente sem perder a essência. Hoje, como um trio (Fil, guitarra e Paulo, bateria), eles abandonaram de vez o inglês. Agora podemos perceber com clareza as letras provocativas que saem da garganta meio rouca do galante vocalista. Elas falam sobre sentimentos do jeito que a gente gosta, sem ser piegas como essa avalanche emo que contagiou como uma doença os adolescentes de hoje. Um exemplo é “Amor Infinitivo” - “Se eu pular do sexto andar, é por você/ E até mudar o meu jeito de pensar, é por você/ Trocar de nome, abandonar o rock , é por você”.
Mas todas são tão boas que não consigo chutar um hit só. A que eles escolheram para ser o primeiro clipe é “1 Segundo” e já está circulando na internet. Aliás, esse disco já foi lançado na rede no final de 2007, mas agora chega às lojas no formato tradicional de CD com quatro faixas bônus – músicas do segundo álbum O Simplez É Complexo, de 2005. Enfim, em A Verdade Sobre A Mentira, o Borderz consegue chegar à equação musical ideal: uma mescla dos riffs poderosos de guitarra e os solos do primeiro trabalho, Elvis…(2003), com as tendências iniciadas no segundo álbum, como os refrãos ganchudos, as letras em português, as melodias cativantes. Sem frescuras: rock, pop, amor, tudo aqui. Simples assim e verdadeiro demais. Deu até vontade de comprar o disco e pedir pra eles autografarem o encarte.
Lívia Pereira – fã
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